segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Ser mãe é desumano





Esta madrugada, entre mamadas e lágrimas, fiquei tentando encontrar um adjetivo para todo aquele caos, e acabei concluindo sobre como é desumano ser mãe. Sério, que outro adjetivo poderia dar para uma situação onde a pessoa não consegue suprir suas necessidades mais básicas de forma adequada, em prol de outros seres? Não consegue dormir direito, não consegue comer direito, não consegue tomar um banho nem fazer suas necessidades em paz, não consegue ficar um tempo em paz e tranquila com o marido, não consegue arrumar os cabelos, faz 450 atividades ao mesmo tempo e ainda consegue ter a capacidade de amar incondicionalmente um ser que chegou a tão pouco tempo e invadiu a vida sem dó nem piedade. Enquanto eu chorava nesta madrugada, em meio ao desespero da exaustão, só conseguia achar que isso era desumano. Aí, foi a vez do marido assumir as crias pra eu poder dormir um pouquinho, e após 3 horas de sono, acordei renovada como se tivesse dormido por 12 horas seguidas. Fui no quarto delas, dei uma espiada, as duas dormindo enroscadas no pai, tão lindas, tão angelicais...Pronto! Me esqueci da madrugada difícil e consegui finalmente encontrar o adjetivo que eu queria para a maternidade: divino! Seja lá qual for a sua crença, mas amar outro ser, ou outros seres de forma incondicional e desprendida, só pode ser dom de Deus. Não tem como sozinhas a gente ter tanta força pra buscar sei lá de onde pra seguir em frente após uma madrugada ou meses sem dormir. Me desculpa se você não crê em Deus, a intenção do post não é falar sobre crenças e religiões, mas eu acredito e me arrepio quando o próprio Deus na Bíblia Sagrada compara o amor dele ao amor de uma mãe. É o único amor no universo comparado ao amor de Deus. Mesmo que você não acredite em Deus e acredite em outras formas de força, energia, ou o que for, isto nos leva a uma reflexão muito profunda sobre o amor de mãe romper todas as barreiras e ser colocado na posição de mais sublime, mais intenso e incondicional amor que existe neste universo. Nós somos divinas e abençoadas. Até mesmo os anjos se honrariam em desempenhar este papel que a nós foi confiado. De hoje em diante, sempre que bater aquele desespero, lembre-se de quão nobre e divina é a sua missão, e concentre-se que depois da tormenta sempre vem o sol. Enquanto escrevo isso aqui, já estou ansiosa por vê-las acordando e correndo aqui na sala com os sorrisos mais lindos do mundo, pulando no meu colo e dizendo: Bom dia mamãe!!! Aiaiai...olha as lágrimas aqui de novo. Mas estas não são desumanas, e sim, divinas!

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domingo, 13 de novembro de 2016

Alimentos Processados: O modo de preparo os torna mais saudáveis?



Feriadão, eu aqui na praia descansando com a família e pensando no que postar aqui no Blog que pudesse ser relevante para os meus seguidores. Então, assistindo a um programa de TV, o programa trouxe uma reportagem sobre mitos e verdades em relação a alimentos crus e cozidos/fritos. Ao falar dos alimentos fritos, a repórter questionou sobre os alimentos processados, se seria mais saudável consumí-los "fritos" em fritadeiras sem óleo, as famosas "air frier." A profissional que estava dando consultoria á reportagem disse que sim, que a maneira mais saudável de consumir estes alimentos, seria utilizando este método de cocção, nestas panelas especiais. Aqui eu gostaria de abrir um parêntese e dar a minha opinião sobre este assunto. Estas fritadeiras sem óleo, são realmente uma opção bastante saudável para "fritar" alimentos sem torna-los verdadeiras bombas de gordura e calorias. O grande problema está em "fritar" ou assar alimentos processados achando que isto os tornará mais saudáveis. Por exemplo, batatas pré-fritas congeladas, batata smile, onion rings congeladas, pastéis congelados, nuggets, hambúrgueres, etc... mesmo que sejam assados ou "fritos" em fritadeiras sem óleo, são alimentos altamente nocivos á saúde, pois carregam enormes quantidades de gorduras trans, sódio, conservantes, aromatizantes, dentre outros componentes que são muito piores do que o óleo em si. Portanto, a única maneira de comer uma fritura saudável é utilizando alimentos de verdade nas fritadeiras sem óleo, e não alimentos processados. E não há motivos para neuras!
  Todo mundo sabe que comer fritura todos os dias ou várias vezes na semana, é um hábito nocivo para a saúde, no entanto, a fritura pode fazer parte daquelas "jacadas" que todo mundo pode se permitir de vez em quando e não há motivo para sermos tão ortodoxos a ponto de demonizar a fritura. Como todas as outras coisas, precisamos ter equilíbrio ao consumir alimentos fritos. Portanto, se você gosta de comer fritura, minha dica é: Eventualmente, não há problema em consumir um alimento frito se você utilizar um óleo de boa qualidade e descarta-lo após, afinal, óleos reutilizados são cheios de gordura saturada e fazem bastante mal á saúde. Entre fazer uma fritura de um alimento de verdade em óleo novinho e "fritar" um alimento processado em uma fritadeira sem óleo, eu ainda prefiro a primeira opção. Dentre todas as opções, a pior sempre será consumir alimentos processados ou ultraprocessados. Sendo assim, antes de pensar em frito X não frito, pense em processado X In natura que a sua saúde com certeza vai sair ganhando!

Espero que tenham gostado e até a próxima!

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Receita - Tirinhas empanadas de frango assadas



Olá queridos e queridas!! Vamos começar a semana com uma receitinha DELICIOSA e super, super, suuuuper fácil...e o melhor de tudo: Saudável!

Então, vamos aos...

Ingredientes:
  • 500g de filé de peito de frango cortado em tirinhas finas (pode ser substituído por tirinhas de proteína texturizada de soja, á venda em lojas de produtos naturais)
  • 2 colheres de sopa de gergelim
  • Temperos naturais á gosto (eu usei salsinha, cebolinha, manjerona, orégano e sálvia todo in natura, mas pode usar os secos tb!)
  • 1 dente de alho
  • 1 colher de sopa de nutritional yeast (opcional)
  • 1 colher de sopa de iogurte natural ou qualquer leite vegetal
  • Sal á gosto
  • 1 ovo caipira (pode substituir por linhaça ou chia hidratada
  • 1/2 xícara de farinha de rosca
  • 1/2 xícara de fibra de trigo
  • óleo de sua preferência para untar a assadeira

Modo de preparo:

Misture bem o ovo, o gergelim, os temperos, o alho, o nutritional yeast, o iogurte e o sal. Despeje sobre o frango. Misture a farinha de rosca com a fibra de trigo e vá adicionando aos poucos sobre o frango com os demais ingredientes até que a farinha cubra as tirinhas de frango. Coloque as tirinhas em uma assadeira untada e leve ao forno médio por cerca de 20 minutos ou até que o frango esteja assado. Sirva em seguida!




Viu só? fácil né? Quem fizer, vem aqui nos comentários contar pra gente como ficou! Aqui todo mundo aprovou!!

Então, é isso!! Espero que gostem...

Até a próxima com mais frutos de muito amor!

Ellen



Dica para fazer com as crianças em dias de chuva




Oi Gente!!!
Mais alguém em desespero aí com esses dias chuvosos e mudança de horário? Eu estou me vendo maluca com minhas duas picorruchas presas dentro de casa..Até a Gigi de 1 aninho vai pra porta e começa a gritar "passiáááá" hahahaha...Não sei vocês, mas eu morrooooo de vontade de comer uma gordice em dia de chuva!! (Sim, nutri tb curte uma gordice de vez em quando!! hahaha). Mas e por que será que temos este desejo tão grande de gordice nesses dias feios e cinzas? A resposta é: Neurotransmissores! Hein?? Que palavrão é esse Ellen?? Calma que eu explico! Todas as ações do nosso cérebro são comandadas através de impulsos químicos que são gerados a partir de substâncias chamadas de neurotransmissores, inclusive o bem estar. A sensação de bem estar é regulada por um neurotransmissor chamado de serotonina. Em dias cinzentos, nosso corpo tem dificuldade em liberar a serotonina e acabamos nos sentindo um pouco "pra baixo." Automaticamente e instintivamente vamos atrás de algo que possa nos auxiliar na liberação deste neurotransmissor e nosso corpo instintivamente sabe que carboidratos fazem isso...Ta aí o motivo pelo qual em dias de chuva sentimos tanta vontade de atacar uma panela de brigadeiro por exemplo. O problema é que quando consumimos essas gordices cheias de carboidratos refinados, estes carboidratos dão um boom de glicose na corrente sanguinea, aumentando rapidamente a insulina que vai lá e capta essa glicose e a leva toda para dentro das células (isso considerando que você não seja diabético) Aí o seu cérebro tem um boom de serotonina e você se sente bem enquanto isso...porém daqui a pouco o seu corpo absorve todo aquele açúcar e tcharaaam! Você quer mais! E por que?? Por dois motivos: Primeiro por que esse boom de serotonina vicia e segundo por que esse pico de glicose faz o seu corpo pedir mais açúcar rapidamente, após uma absorção ultra-rápida, pois causa uma desregulação na sua insulina. Resultado: Aquela velha culpa por ter comido um monte de açúcar e querer mais! E como que a gente resolve isso?? Simples! Existe um aminoácido chamado Triptofano que atua na produção da serotonina e é encontrado em um monte de alimentos saudáveis, por exemplo na banana. Além disso, as vitaminas do complexo B também atuam na produção deste neurotransmissor, portanto ao invés de uma gordice que vai resolver o problema apenas instantaneamente, que tal fazer uma comida de verdade que tenha estes nutrientes que espantam o mau humor, a depressão e ansiedade (em dias chuvosos e nos outros também). Que tal então uma receitinha para fazer com as crianças que além de promover uma atividade legal pros dias de chuva, ainda contém triptofano e vitaminas do complexo B?
Então, aí vai:
Muffim de banana, aveia e avelã













Ingredientes:
2 bananas maduras
2 ovos
1/2 xic. açúcar mascavo
1/4 xic. óleo de girassol
1 xícara de aveia em flocos finos
1/4 de xícara de avelãs trituradas
1/2 col. sopa de fermento
canela
forminhas de papel para cupcake e forma de assar para cupcake

Modo de Preparo:

Bata no liquidificador as bananas, o açúcar mascavo e os ovos. Passe para uma tigela e misture a aveia, avelã, canela e fermento.
Arrume as forminhas de papel na assadeira e pré-aqueça o forno em 180°.
Arrume a massa nas forminhas com cuidado, usando uma colher de sopa e cuidando para não encher até a borda, pois o bolinho ainda vai crescer. Leve para assar até dourar. Asse por 20 minutos!

sábado, 8 de outubro de 2016

O Oxalato e a Beterraba...



Se tem um assunto que está na boca das mães e está alvoroçando os grupos de maternidade, o assunto é este! A bombástica revelação de que a beterraba é rica em oxalato, um composto químico mineral que pode vir a causar cálculos renais, além de dificultar a absorção do ferro. Todo mundo que cozinhava a beterraba no feijão e achava que estava melhorando o conteúdo de ferro do feijão, agora ouviu sobre o oxalato e tem até gente por aí falando que o feijão vira água (oi??) se for cozido com beterraba. Numa dessas, a pobre beterraba que antes era vista como o santo graal da anemia (que também não é pra tanto) agora anda sendo até demonizada nos grupos por que ela pode na verdade, causar mais anemia se não for consumida da forma correta. Alguns estudos apontam que o cálcio pode se ligar ás moléculas de oxalato, formando tipo de um complexo que seria eliminado pelas fezes ao invés de eliminar o oxalato pela urina o que aumenta os riscos de formação de cálculos renais (Lembrando que o risco é muito mais associado a uma baixa ingestão de água do que a alimentos ricos em oxalato). Pois bem...depois de saber esta do cálcio, uma boa estratégia seria consumir a beterraba e/ou outros alimentos ricos em oxalato, juntamente com alimentos ricos em cálcio, certo? Porém, precisamos levar em conta que o cálcio também atua dificultando a absorção de ferro. O que fazer então? Primeiro...cozinhar a beterraba em uma panela aberta ajudaria a eliminar o oxalato pelo vapor. Este já seria um primeiro passo. Segundo...Se comer um alimento rico em cálcio junto dificultaria a absorção do ferro, por que não então prepará-la com um alimento rico em cálcio que depois seria descartado com a água do cozimento? Exemplo: Cozinhar a beterraba em uma panela aberta com uma ou duas folhas de couve junto ou com umas duas colheres de gergelim triturado. O oxalato tem neste caso, duas vias de eliminação: o vapor e o alimento rico em cálcio. Terceiro: cozinhar a beterraba com o feijão, mantém o oxalato por que a panela de pressão é fechada, logo ele não poderia ser eliminado pelo vapor. Mas se você gosta de feijão com beterraba, não há problema algum em cozinhá-la como foi dito aí em cima, e depois misturá-la no feijão! Também, evite consumir a beterraba crua, pois neste caso, não há mesmo como eliminar o oxalato a não ser que você consuma alguma fonte de cálcio junto. Na verdade, o que eu sempre prego é o equilíbrio. Quer ver só... a beterraba contém: Fibras, Cálcio, Vitamina C, Fósforo, Manganês, Magnésio, Ferro, Potássio, Cobre, Zinco, Vitaminas do complexo B, além de antioxidantes como a betalaína, que auxiliam na prevenção e no controle de doenças cardiovasculares. Sendo assim, não acho justo deixar de consumir um alimento com todas estas propriedades, apenas por causa de um fator anti-nutricional que pode ser corrigido e amenizado! Basta ter a informação correta! Sua saúde agradece.

Ellen Baaklini
Nutricionista Materno-Infantil

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Como superei a tristeza de não amamentar a primeira filha, amamentando a segunda. Relato de amamentação - Parte 4


Então, no reveillon de 2014, anunciamos a gravidez com a seguinte frase: "Ano novo, vida nova. Literalmente aqui em casa." Desta vez, eu decidi que o meu bebê seria recebido de outra forma. Encarei essa nova gestação como um grande presente de Deus para me auxiliar no processo de cura dos meus traumas. Encontrei um obstetra humanizado, Dr. Fabiano Vasconcelos, e comecei o pré-natal, pois eu queria parir e amamentar. Nos meus planos, não cabia nada menos que isso. Logo na primeira consulta, falamos sobre a importância de ter uma doula para acompanhar o parto. Eu não sabia nem por onde começar, e então digitei "doula" no face, e fui procurando pelas que foram aparecendo, qual era do RS. Entrei em contato com várias, e com nenhuma "o santo bateu." Já estava bem desanimada, até que uma delas me respondeu a mensagem. Doula Analu. Conversei um pouco com ela, e Pá!! Rolou de cara a empatia. Aí, descobri na conversa, que ela também é Nutricionista e Consultora em Aleitamento Materno. Fechei com ela! Fui fazendo os acompanhamentos, e tudo foi correndo bem e se encaminhando para um parto normal. Com 32 semanas, fomos realizar a última ecografia que estava planejada (Os médicos humanizados não pedem muitas ecografias), e eis que a dona moça estava sentadinha! Medo me definia naquele momento...Ela já estava bem grandinha, e eu tive muito medo dela não virar novamente de cabecinha para baixo, em posição cefálica. Então comecei a fazer de tudo para ela virar. Só de pensam em outra cesariana, me dava calafrios. Com exatas 36 semanas, após algumas sessões de moxabustão (acupuntura com calor), Gigi virou! Aiii que felicidade! Eu sonhava com uma cena na minha cabeça: Parir de cócoras e colocar o bebê no peito assim que nascesse e viesse pro meu colo, preso pelo cordão umbilical ainda. Então, no dia 18/08/2015 ás 21:25, no mesmo hospital, na mesma sala de parto, acompanhados pela mesma pediatra que a Juju, Gigi nasceu lindamente, de um parto normal restaurador e exaustivo para reescrever nossa história. Exatamente como eu sonhei. Veio direto para o meu colo e assim como eu, estava exausta e só quis cheirar o peito exatamente como faz até hoje...ás vezes não quer mamar, mas só deita a cabecinha no peito e dorme <3






Nossa querida doula estava lá, nos orientado os primeiros passos. Eu tive uma pequena laceração natural de períneo e enquanto era suturada, Gigi foi levada junto com o papai para ser pesada e medida. Fui levada para a sala de recuperação e logo em seguida o papai veio trazendo junto aquele pacotinho de amor. Ali, de fato começamos nossa história de aleitamento. Ela passou mais de uma hora sugando colostro (esfomeada como é até hoje...hehehe) e nós não nos desgrudamos mais! Gigi mamou exclusivamente no peito até os 6 meses de idade, sem nenhuma água, nenhum cházinho, nenhum complemento, chupeta ou qualquer outra coisa que pudesse nos atrapalhar. Tive mastite, tive algumas fissuras, tive dor, tive lágrimas, tivemos cólicas intensas, madrugadas em claro, picos de crescimento, e muito, muuuuito amor e uma troca intensa de carinho. Daqui a 13 dias completamos 12 meses de aleitamento materno, e essa é uma grande vitória para mim. Hoje eu tenho o orgulho de dizer: Sim, eu sou capaz de nutrir a minha filha! Meu corpo é tão poderoso a este ponto! Hoje eu me sinto completa, e apesar da culpa ás vezes ainda tentar roubar a cena por conta da Juju, basta eu olhar pra Gigi no peito que a gratidão inunda a minha alma. Eu ainda sofro um pouquinho pela Juju não ter tido esta oportunidade. Mas ao mesmo tempo, penso que a história que eu tive com a Juju embora tenha um lado muito triste, me trouxe para onde eu estou hoje. Me fortaleceu, me fez buscar outra história, me fez sair da zona de conforto. Agradeço muito a Deus por ter me escolhido para ser mãe destes seres tão iluminados e por ter me dado experiências tão intensas para viver, e pela possibilidade hoje, de usar estas experiências para empoderar outras mulheres, elas são a minha grande inspiração! Elas são Fruto do Amor.


Como superei a tristeza de não amamentar a primeira filha, amamentando a segunda. Relato de amamentação - Parte 3

Juju tomando uma mamadeira de água com espessante,
pois tinha refluxo severo e disfagia, e tinha afogamentos constantes.
O maldito vazio permanecia. A culpa enorme por ser uma nutricionista e ter sucumbido á mamadeira me consumia. Juju teve APLV, teve que tomar uma fórmula horrível, e eu tinha ódio de fazer a mamadeira, mas não tínhamos outra opção (ou não conhecíamos outra opção). Com seis meses ela ficou resistente ao leite, e já podíamos considerá-la curada da alergia. Se antes disso, eu soubesse da técnica de relactação, muita coisa poderia ter sido diferente. Quando a poeira baixou, eu poderia ter tentado fazê-la voltar a mamar no peito através dessa técnica, mas não tive auxílio. Isso me faz refletir em quão fraco ainda é o nosso ensino nas universidades á respeito de amamentação e alimentação infantil. Eu era uma nutricionista desinformada e desempoderada. Que coisa triste isso! Ao longo do tempo, fui refletindo a respeito de todas estas situações, fui organizando meus pensamentos e fui entendendo que a culpa não era minha e que infelizmente eu fui apenas mais uma vítima do sistema. Quando a Juju tinha um ano de idade, comecei meu mestrado em Nutrição e Dietética. Fui avançando no curso, até que chegou a hora de fazer a especialização e a dissertação e eu me deparei com as áreas de Nutrição Clínica, Obesidade e Emagrecimento, Nutrição Esportiva e Nutrição e Atividade Física na Infância e na Adolescência. Até aqui eu já havia estudado muito sobre parto, nascimento, amamentação, uso de fórmula e outros assuntos mais para tentar entender melhor o quadro da Juju. Surgiu então o desejo de pesquisar a respeito da influência do tipo de parto sobre o estado nutricional do binômio mãe-filho, e a área que melhor se encaixava neste tema, era a área relacionada a Nutrição Materno-Infantil e foi essa área que eu escolhi para me especializar. A Juju ainda não sabe, mas ela me ajudou muito a me encontrar profissionalmente. Por causa dela, eu me apaixonei por uma área que eu nem sequer havia imaginado de trabalhar nela um dia. Porém, nesse meio tempo houve um imprevisto nesta história. Eu estava a apenas 7 meses fazendo o mestrado (portanto ainda faltava quase um ano e meio para terminá-lo) um belo dia, senti umas dores estranhas no baixo ventre e achei que estivesse com infecção urinária. Nunca, jamais me passou pela cabeça de estra grávida de novo. Eu sempre falei que eu tinha medo de ter outro filho, pois com a Juju foi tudo muito difícil, ela sempre teve a saúde muito frágil e nós sofremos muitas vezes situações em que eu achei que eu a perderia. Era trauma em cima de trauma...eu estava muito machucada ainda pelos traumas da maternidade, e eu tinha medo de sofrer tudo isso outra vez. Mas, como os planos de Deus são diferentes dos nossos, eu fui na emergência do hospital pra consultar e pedir um antibiótico para a infecção urinária. Antes de sair de casa, minha mãe me disse: "Pede pro médico um exame de gravidez também!!!" Ahhhh as mães e seu super-hiper-mega-master-blaster-power-advanced sexto sentido... Chegando lá, falei com o médico e ele pediu o exame de urina e o BHCG. Eu tava tranquila, afinal eu sabia que eu não estava grávida. Demorou algum tempo, vieram os resultados e eu fui chamada. Meu marido ficou na sala de espera assistindo filme...sentei no consultório e o médico chegou, olhou os exames e: Dona Ellen, a senhora não está com infecção urinária, mas o seu BHCG está alterado, esse valor me diz que ele é positivo, portanto, meus parabéns! A senhora está grávida! O QUÊÊÊ??????? Pensei: Não, péra doutor! Ta invertido o negócio aí, era pra dar positivo o de urina e negativo o de gravidez!!! Desabeeeei a chorar! O coitado ficou sem saber o que fazer...Olhou pra mim e disse: Ai que legal, pelo jeito a Senhora queria muito não é?? Eu respondi: Nãããão!! O contrário...eu não queria! Mas seja o que Deus quiser... Um misto de emoções me inundou naquele momento. Um medo absurdo de passar por tudo outra vez, um pavor por ter um bebê em casa e outro na barriga, uma alegria imensa por ter uma segunda chance, um amor maior do mundo que a gente sente quando vê o positivo...E aqui começa uma nova, restauradora e emocionante história de empoderamento, superação e determinação. Uma das experiências mais lindas da minha vida! Tá curioso? Vai ficar, por que só conto o final amanhã! Até lá...

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Como superei a tristeza de não amamentar a primeira filha, amamentando a segunda. Relato de amamentação - Parte 2

Juju com 6 meses de vida...

O tempo foi passando e eu fui me encontrando na função de mãe. Mas foi bem complicado. Faltou algo sabe? Os poucos dias que eu amamentei a Juju foram dias de muito apego. Na verdade eu desabei na depressão, quando eu parei de amamentá-la, pois como o parto havia sido péssimo e o pós-parto mais ainda, eu me apeguei na amamentação como consolo. E por total desempoderamento, até isso tiraram de mim. Minha filha estava lá, linda, maravilhosa, e eu sentindo um vazio, um buraco por dentro. Quem nunca passou por uma depressão pós-parto, não faz ideia da dor intensa que é olhar pro seu bebê, objeto de todo o teu desejo durante nove meses, e não sentir vontade de encostar nele, odiar seu choro, ter vontade de jogá-lo no chão e por aí vai...Sim, imagino que você se arrepiou. Eu me arrepio só de lembrar até hoje. É muito cruel, jamais julgue uma mãe depressiva! Mas o tempo foi nos ajudando juntamente com a família, o apoio profissional da Carol, minha terapeuta e dos amigos, em especial aqui quero citar a minha amiga Pam que veio de SP pra cá passar duas semanas comigo, me trouxe maquiagens de presente e me deu uma força incrível num momento de tanta fragilidade...Jamais vou esquecer esse gesto minha linda! Fez toda a diferença.
De tempos em tempos, eu tinha alguma recaída na depressão, até que um dia meu pai falou muito sério comigo...ele sentou no sofá da minha casa, me chamou e disse: Ellen, seguinte filha. Tu só vai conseguir amar a tua filha, quando tu começar a cuidar dela de fato. Enquanto a sua mãe estiver tomando mais conta dela do que você, as coisas não vão melhorar! Enfrenta essa depressão filha e você vai ver que você vai desenvolver um vínculo com a Juju. Aquelas palavras foram rudes pra mim naquele momento, mas foram a minha salvação! Eu precisava que alguém me dissesse aquilo. Eu chorei muito, muito mesmo...mas decidi que eu iria tomar conta dessa situação e tomei! Meu pai me fez cair na real, e me abriu os olhos para que eu enxergasse o que estava faltando: O vínculo! A cesariana fora de trabalho de parto, infelizmente não conta com a cascata hormonal que existe num trabalho de parto e que já faz a gente criar de imediato o primeiro vínculo com a cria. E depois esse vínculo segue sendo formado durante a amamentação, afinal a mesma ocitocina que a gente libera parindo a gente libera amamentando (e fazendo sexo também, entenderam por que a mulher cria vínculos com o parceiro sexual?). Depois dessa sacada que o meu pai me deu, eu entendi que eu precisava de alguma forma liberar bons hormônios com a Juju, para eu poder me apaixonar por ela e então começar a sentir aqueeeeele amor arrebatador que todo mundo fala. Sabe gente, ás vezes ele não acontece de cara, e a gente precisa muito se esforçar pra ele acontecer. E foi assim com a gente...Daquele dia em diante, eu comecei a cuidar dela mesmo sem vontade e então fui me apaixonando por aquele serzinho. Por volta de seis meses de idade da Juju, eu me senti curada. Eu finalmente senti que eu amava a minha filha e que ela era a razão da minha vida. Não que esse sentimento não existisse antes...mas as circunstâncias estavam dificultando ele de aflorar. Nós perseveramos e graças a Deus vencemos! Mas o vazio ainda estava lá...continua amanhã! Não percam as cenas dos próximos capítulos.


terça-feira, 2 de agosto de 2016

Como superei a tristeza de não amamentar a primeira filha, amamentando a segunda. Relato de amamentação - Parte 1



Especial SMAM 2016

Julinha em uma de suas primeiras mamadas no quarto. Que saudade!
Julinha, minha primeira filha, nasceu dia 15/04/2013 ás 08:51 com 38 semanas de gestação em uma cesariana eletiva. Na ocasião eu já era nutricionista a 4 anos e mesmo assim, me considerando informada (Só que não!) me deixei levar pelo sistema obstétrico e pelo sistema pediátrico. Ou seja, não tive parto normal e não amamentei. Me sentia um lixo de mulher por causa disso (veja bem, não estou afirmando que todas que tiveram cesariana e não amamentaram sejam menos mães ou mulheres por isso. Estou contando como EU me sentia. Cada uma sabe de si, sem julgamentos!). Enfim...eu me sentia incompleta como mãe. A Julinha nasceu grande. Apesar de eu não ser portadora de diabetes gestacional, ela nasceu com 3.830 kg e 52 cm, um bebezão pra 38 semanas. Aí, começou aquela função de: "Ela é grande, vai ter hipoglicemia, tem que complementar!!" Embora eu tenha feito cesariana eletiva, meu colostro desceu na hora, rapidamente. Era tão simples, ter deixado ela mamar na primeira hora de vida! Mas não foi isso que aconteceu. Ela passou mais de uma hora no berçário, e tomou uma chuquinha com aproximadamente 60 ml de complemento antes de mamar no peito. E foi assim por todos os dias que passamos no hospital...as enfermeiras vinham com o copinho de NAN e davam pra ela no quarto de tempos em tempos, pois era a ordem da pediatra pra não ter hipoglicemia.

Julinha tomando complemento ainda no berçário, sem a minha autorização.
Nem sequer fui consultada ou informada.
 Me encheram a cabeça para fazer os horários rígidos e assim nossa amamentação estava com os dias contados. Pra piorar a situação, com 30 dias de vida ela foi diagnosticada com alergia a proteína do leite de vaca, e eu, que por "N"  motivos já estava com um baby blues bem forte, fui absolutamente desencorajada a seguir com a amamentação e 16 dias depois sucumbi. Não recebi apoio médico, nem familiar. Todo mundo (inclusive eu) estava desempoderado pelo sistema que faz a gente acreditar na nossa incapacidade de parir e amamentar um bebê. Não aguentei o tranco e com 46 dias de vida, Julinha parou de mamar no peito e passou a usar um leite especial para APLV. Nessas alturas meu psicológico entrou em surto e eu caí numa depressão pós-parto profunda. Cheguei a rejeitar a minha filha. Não queria tocar nela, não queria ouvir o choro dela, não queria nem sequer olhar pra ela. Foi difícil, muuuito difícil, Doeu muito essa situação. Então procurei ajuda profissional para tentar sair dessa depressão, pois eu precisava voltar a cuidar e amar a minha filha. Graças a Deus eu tinha a minha mãe por perto que agarrou a Julinha com todas as forças e cuidou dela com um amor inexplicável, sou eternamente grata a ela. Comecei a fazer terapia, a depressão começou a ir embora, mas a tristeza e o vazio de não amamentar sempre permaneceram. Quer saber o final da história? Volta aqui amanhã!

terça-feira, 5 de julho de 2016

A influência do tipo de parto sobre o aleitamento materno e da amamentação sobre a saúde da criança, da mulher, economia familiar e sobre o meio ambiente.



A partir do final da Primeira Guerra Mundial, a acentuada diminuição demográfica e a baixa taxa de natalidade observadas no pós-guerra, motivaram a transferência crescente de parturientes para o ambiente hospitalar, que oferecia cada vez mais segurança, objetivando salvaguardar a vida das mães, e mais ainda, das crianças, sob perspectiva de aumento populacional. A partir daí, os partos passaram a ser classificados a partir de sua medicalização e instrumentalização como parto vaginal (normal) e operatório (cesariana). Sob influência da Escola Obstétrica Francesa, sob liderança de François Mauriceau, a partir de 1700 o parto horinzontal, em posição litotômica foi introduzido, sendo considerado na época a forma mais adequada aos costumes e a posição mais cômoda para os obstetras, principalmente quando o uso do fórceps se fazia necessário. Todos estes fatores contribuíram para que o momento do parto passasse a ser dirigido pelos médicos, tirando pouco a pouco a autonomia das mulheres. As parteiras foram substituídas por médicos obstetras, ao passo que o parto normal agora em ambiente hospitalar, deixou de ser um processo natural e passou a ser conduzido com a gestante isolada, em salas de pré-parto coletivas, sem qualquer privacidade, sem poder movimentar-se, impedidas de comer ou beber, com acesso venoso para reposição hídrica, e drogas para acelerar o trabalho de parto. Após a institucionalização do parto, muitas mulheres não conseguiram mais parir de forma natural, por via vaginal, restando apenas a opção de realizar uma cesariana ou a aplicação de fórceps. Essas experiências traumáticas, comumente produzem efeitos lesivos irreversíveis sobre o bebê e a família. É absolutamente comum nos partos hospitalares, que mãe e bebê sejam abruptamente separados, imediatamente após o nascimento. Essa prática não é baseada em nenhuma evidência científica e tem como base apenas a rapidez e a agilidade em atender o parto e o produto final do mesmo, o recém nascido. No entanto, o contato pele a pele desencadeia uma série de eventos hormonais importantes para a relação mãe-bebê. O toque, o odor e o calor, estimulam o nervo vago e isto, por sua vez, faz com que a mãe libere ocitocina, hormônio responsável, entre outras ações, pela saída e ejeção do leite. Esse hormônio faz com que a temperatura das mamas aumente e aqueça o bebê. Por outro lado, a ocitocina reduz a ansiedade materna, aumenta sua tranquilidade e responsividade social. Neste contexto, podemos afirmar que o tipo de parto pode facilitar ou dificultar a amamentação. Um estudo realizado por Weiderpass e col. no ano de 1998, concluiu que os nascidos por cesariana eletiva apresentavam um risco três vezes maior de interromper a lactação no primeiro mês de vida. O estabelecimento da lactação é mais precoce e efetivo no parto vaginal, uma vez que não há o fator dor incisional ou o efeito pós-anestésico da cesárea, dificultando, portanto, as primeiras mamadas. No parto normal, o primeiro contato mãe-filho ocorre mais precocemente, enquanto que na cesárea, dificilmente a criança vai até a mãe na primeira hora pós-parto, prolongando, assim, o intervalo entre o parto e a primeira mamada, além de propiciar a introdução de fórmula láctea ou glicose para o recém-nascido já no berçário e, o que é pior, em mamadeira. Uma revisão sistemática sobre o contato precoce pele a pele entre mães e seus bebês recém-nascidos, encontrou efeitos positivos sobre a primeira mamada, amamentação de um a quatro meses pós-parto, duração da amamentação, ingurgitamento mamário e o reconhecimento do odor do leite materno pelo bebê. Nenhum efeito negativo foi encontrado. No entanto, o contato precoce pele a pele é melhor possibilitado no parto normal, do que na cesariana o que sugere que o parto normal sairia em vantagem se comparado a cesariana,  no que diz respeito á amamentação. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), por ser um alimento completo, o leite materno deve ser fornecido exclusivamente desde o nascimento até os seis meses de vida e sua continuidade com alimentos complementares é recomendada até os dois anos de idade ou mais. Para a Academia Americana de Pediatria a amamentação deve ser iniciada imediatamente após o nascimento e ser oferecida em livre demanda, sem necessidade de introdução de suco, água ou outros alimentos antes dos seis meses de vida. A partir dos anos 90 através de programas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), houve um aumento nos índices de aleitamento materno exclusivo. Analisando os dados do Demographic and Health Surveys (DHS) para diversos países, observa-se que o aleitamento materno exclusivo até 4 meses cresceu de 46% para 53%. E quando se considera aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, esse crescimento foi de 34% para 39%. Isso se deve principalmente á implementação da iniciativa Hospital Amigo da Criança e do Código Internacional de Comercialização dos Substitutos do Leite Materno. Dentre alguns benefícios do aleitamento materno para a saúde da criança, podemos citar: redução da mortalidade infantil, proteção contra infecções dos tratos intestinal e respiratório, menor risco de desenvolver otites, menor risco de morbidade e mortalidade por diarreia, menor risco de morte súbita, efeito protetor contra infecção urinária, além de que crianças amamentadas apresentam médias mais baixas de pressão sanguínea e de colesterol total, melhor desempenho em testes de QI e menor prevalência de sobrepeso/obesidade e diabetes tipo 2. Para a saúde da mulher, a amamentação representa uma série de benefícios como: redução de 4,3% no risco de desenvolvimento de câncer de mama a cada 12 meses de amamentação, menor risco de desenvolver osteoporose, aumento no espaçamento entre uma gestação e outra, sendo a amamentação um método anticoncepcional, retorno ao peso pré-gestacional mais rapidamente, e menor sangramento uterino (consequentemente menor risco de anemia) devida a involução uterina mais rápida. Para a família, o aleitamento materno representa ainda uma grande economia no orçamento familiar, uma vez que não onera as despesas mensais com a compra de fórmulas lácteas que muitas vezes são de custo elevado, além de que o aleitamento materno previne doenças, o que reduz os gastos com consultas médicas e internação.
Há também que se considerar que amamentar é um ato ecológico, uma vez que o leite materno é talvez o único alimento produzido e entregue ao consumidor sem poluir, sem provocar desperdícios e sem embalagem. É um recurso renovável e extremamente benéfico do ponto de vista de preservação do meio ambiente, ao contrário dos alimentos artificiais que causam impacto ambiental esgotam os recursos naturais, não são renováveis e provocam danos em cada estágio da sua produção, distribuição, uso e descarte.

As indústrias responsáveis pela fabricação dos leites artificiais e seus correlatos contribuem com constantes agressões ao meio ambiente, uma vez que sua atividade provoca alterações no ecossistema, esgotando os recursos naturais não renováveis desde as matérias primas até o descarte das latas, do plástico das tampas, do plástico e do silicone das mamadeiras. Outro ponto importante a ressaltar é o impacto causado pelo plantio de pasto e a criação de gado para obter o leite, o que causa um grande impacto ambiental tanto pela grande área desmatada, quando pelo emissão de gases causada pelo gado. Outro ponto a destacar, é a transformação do leite de vaca em leite em pó o que leva a um alto consumo de energia, uma vez que necessita ser aquecido a temperaturas em torno de 160ºC. Também o leite de soja (principal substituto para as fórmulas lácteas para bebês) consome grande quantidade de energia, além de provocar poluição significativa da água se não houver um tratamento prévio de seus despejos líquidos antes do lançamento no meio ambiente. Segundo relatório da HSI (Humane Society International), organização que defende os direitos animais e a preservação ambiental, a expansão do pasto para a pecuária é um fator chave do desmatamento, principalmente na América Latina, e estima-se que algo em torno de 70% da terra antes florestada da Amazônia é usada como pasto e plantações cultivadas para produção de ração cobrem uma grande parte do restante. Praticamente todas as etapas da cadeia produtiva de carnes, leites e ovos poluem o ar ou contribuem para mudanças climáticas. O setor emite quantidades significativas de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O). As emissões de dióxido de carbono deste setor são geradas pela fabricação de fertilizantes de nitrogênio para a produção de ração, pelo uso de combustíveis fósseis dentro das propriedades e pelo desmatamento. A fermentação entérica (fermentação microbiana que ocorre no sistema digestório de animais ruminantes) foi responsável por cerca de 63% de todas as emissões de metano no Brasil em 2005. Mundialmente , este processo é responsável por aproximadamente 25% da emissão dos Gases de Efeito Estufa (GEE). A agropecuária é também responsável por pela maior parte das emissões globais de óxido nitroso, originadas principalmente, dos dejetos e fertilizantes aplicados nas plantações cultivadas para a produção de ração, e contribuem com aproximadamente 31% das emissões de GEE da atividade pecuária. Tendo estes dados em mente, considera-se que a amamentação é um ato ecológico, e ainda que seja em pequena parcela, contribuí para a preservação do meio ambiente, especialmente a amamentação prolongada, mantida conforme preconiza a OMS, até os dois anos de idade ou mais, pois evita o consumo de leite de vaca e outros recursos naturais.

Créditos:
Este texto foi extraído da Dissertação de Mestrado intitulada: IMPACTO DO TIPO DE PARTO SOBRE O ESTADO NUTRICIONAL DO BINOMIO MAE-FILHO.
Dissertação para obtenção do grau de Mestre em Nutrição e Dietética com Especialização em Nutrição e Atividade Física para Crianças e Adolescentes
Departamento de Pós-Graduação
Universidad Europea del Atlántico - UNEATLANTICO - Espanha - 2016

* Imagem: Parto da Giovanna, minha caçula <3

sábado, 25 de junho de 2016

O mito do peito murcho, do leite seco e outros mais...



Infelizmente tive que parar de amamentar por que meu leite secou...meu peito ficava murcho e não vazava mais! Você já ouviu esta afirmação? Ou então aquela clássica: O pediatra mandou complementar por que meu leite era pouco. Pois vou contar uma coisa para vocês...Essas afirmações são frutos de falta de informações corretas sobre amamentação, e este post tem a intenção justamente de compartilhar estas informações. Então vamos começar do começo!! hehehe...
O bebê nasceu! Agora ele precisa comer...seu primeiro alimento já está ali, prontinho, quentinho, perfeitinho...o colostro! "Mas é tão pouquinho!!!" Sim gente...é pouquinho! A capacidade gástrica de um bebê recém nascido não passa de 5-7 ml. É o tamanho de uma azeitona! Agora me digam para que diabos a mãe precisaria lotar os peitos de colostro, se o bebê precisa de apenas 5 - 7 ml por mamada para se saciar? Isso explica também por que o bebê mama com tão pouco tempo de intervalo entre uma mamada e outra, e já derruba outro mito...O bebê não mama de hora em hora por que seu leite é fraco. Ele mama de hora em hora por que é o tempo que ele leva pra digerir e absorver a pouquinha quantidade de leite que ele tem capacidade de tomar. Ok, derrubados esses mitos, vamos seguindo a diante...o primeiro mês passou, e entre o segundo e o terceiro mês chega um belo dia em que você nota que seus peitos estão mais flácidos e não vazam mais leite. Aí bate o desespero!! Você acha que a sua produção diminuiu drasticamente e começa a complementar pra ajudar. O que ninguém te conta é que nessa fase a sua produção começa a ficar regulada de acordo com a demanda do seu bebê, ou em outras palavras, seu corpo entende quanto seu bebê precisa mamar e produz só este tanto, logo o peito não fica mais cheio o tempo todo, e passa a produzir apenas quando o bebê suga a quantidade ideal para o bebê, Lembre-se: Peito não é depósito, é fábrica! E o único jeito de estimular essa "fabricação" de leite materno, é a sucção do bebê. Aqui já entramos em outro mito...O mito da amamentação com horários rígidos. Quando você amamenta de 3 em 3 horas, quinze minutos em cada peito, você não consegue saber a demanda exata do bebê. Por isso é tão importante fazer a livre demanda, ou seja, deixar o bebê mamar sempre que quiser, pelo tempo que quiser, pois essa constância na sucção enviará sinais ao cérebro para que ele produza cada vez mais prolactina e mantenha a produção do leite. A sucção não nutritiva (chamada por aí de chupeitar) também é importante para isso, pois o que faz o cérebro produzir prolactina é o estímulo da sucção. Ainda relacionado á sucção temos aquela outra fala: "Ah mas eu tirei com a bombinha e saiu tão pouco! Acho que a minha produção é baixa." Amiga!! Presta atenção...bombinha não é parâmetro! Bombinha alguma no mundo vai conseguir sugar com a força e a perfeição que um serumaninho consegue! Avaliar produção com bombinha, é furada...só vai servir pra encher a sua cabeça de dúvidas e caraminholas.Quer a fórmula do sucesso? eu te dou: põe essa cria pra sugar, sugar, sugaaaaar, bebe muita água. fecha os ouvidos pros pitacos, conte com uma rede de apoio pra te ajudar com os afazeres do dia-a-dia e confia...confia muito no teu corpo, que se ele foi capaz de gerar e trazer ao mundo um serzinho, ele vai dar conta de alimentar esse ser. E se ainda assim, você ficar insegura e achar que precisa de ajuda, procure uma consultora em amamentação ou uma nutricionista materno-infantil. Tenho certeza que um destes profissionais poderá te auxiliar e vai por mim...a consulta é mais barata do que comprar lata de leite depois. Amamentar cansa muito, mas é algo sublime e muito prazeroso e especial. <3

quarta-feira, 22 de junho de 2016



RECEITA: Bolo cremoso de maçã, iogurte e aveia




Estava eu aqui hoje com algumas maçãs querendo ficar murchas, um iogurte próximo da data de validade e pensei...vocês vão virar bolo! E viraram um bolo cremoso D-E-L-I-C-I-O-S-O!!!

Confiram...

Ingredientes:
3 maçãs
1 xícara de chá de aveia em flocos finos
1 xícara de chá de farinha de trigo
1 xícara de chá de açúcar demerara
1/2 xícara de chá de óleo de girassol
1 garrafinha de leite de côco
1 copinho de iogurte grego
1 ovo
2 colheres de sopa de fermento químico

Modo de preparo:
Bata tudo com exceção do fermento no liquidificador, até formar uma massa bem homogênea. Transfira a massa para uma tigela e misture delicadamente o fermento. Coloque em uma forma untada e asse por cerca de 30 minutos a 200ºC. Retire do forno e deixe esfriar antes de desenformar.

Fácil né?
Agora é só fazer e voltar pra me contar se ficou bom!

Espero que gostem! Beijos e até a próxima...



quarta-feira, 25 de maio de 2016

Empreendedorismo Materno



Carreira ou maternidade? Voltar ou não ao trabalho depois da mísera licença maternidade do nosso país? Deixar na creche ou contratar babá? Continuar amamentando ou desmamar? Dependência ou independência financeira? Essas são apenas algumas das questões com as quais as mães precisam lidar diariamente após a maternidade. Nós mulheres batalhamos muito para conseguir conquistar nosso lugar no mercado de trabalho, mas conciliar carreira e maternidade esta longe de ser fácil. Na verdade a mulher é sempre alvo de críticas. Se resolve não ter filhos, é mau vista por isso. Se resolve ter filhos e continuar trabalhando, é uma péssima mãe por "terceirizar" a criação. Se resolve parar de trabalhar e se dedicar inteiramente aos filhos é vista como alguém que "só" passa o dia todo em casa sem fazer nada. E se tem um diploma universitário então? É a treva! Aí ninguém dá sossego mesmo, pois onde já se viu ser formada em alguma coisa pra "só" ficar em casa??? O jeito é não dar ouvidos ás críticas e seguir seu coração. Mas e quando o seu coração fica absolutamente divido entre filhos e carreira? Aí o jeito é inovar. O jeito é dar um jeito!! Hoje em dia os consultores de carreira tem chamado cada vez mais atenção para a nova profissão do futuro: o empreendedorismo. Se você é uma mãe que não quer abrir mão da maternidade e da carreira, possuí boas ideias, um espírito livre e quer independência financeira, gata, se liga! Essa é a sua profissão! As grandes vantagens do empreendedorismo materno são: trabalhar com horários flexíveis, poder trabalhar em casa ou levar os filhos pro trabalho, poder fazer algo que você gosta, não ter limites de ideias, não ter chefe, não ter limites de ganhos, e muito mais. As desvantagens são as mesmas de um profissional autônomo, como não ter um ganho fixo e dependendo do ramo do seu negócio ter que lidar com a sazonalidade (por exemplo, se você faz sorvetes, você provavelmente venderá mais no verão). O perfil de uma mãe empreendedora deve contar com as seguintes qualidades:
1) Foco: Não adianta nada você ter vontade de trabalhar e ter boa ideias, se você não delimitar um ramo de trabalho. O primeiro passo é pensar em algo que você gosta de fazer e sabe fazer, e procurar saber se existe mercado para a sua ideia.

2) Disciplina: Não é por que você vai trabalhar em casa e com horários mais flexíveis, que você não precisa de rotina e organização. Muito pelo contrário, você precisa ter mais disciplina do que teria se estivesse trabalhando fora. O serviço de dona-de-casa e mãe nunca termina, isso é fato! sempre tem um chão pra varrer, uma louça pra lavar ou uma roupa pra dobrar e além disso os filhos pra dar comida, banho, fazer dormir, dar atenção, ufaaa! Se no meio de tudo isso, você não delimitar um horáriozinho do seu dia para empreender, sinto em lhe informar, mas seus projetos jamais sairão do papel. Outro fator importante é tirar o pijama. Sim, isso mesmo! Não é por que você vai estar trabalhando em casa que você vai passar o dia de pijama, pantufa e descabelada. Acorde pela manhã e se arrume como se você estivesse indo trabalhar, afinal a partir de agora sua casa é o seu local de trabalho. Óbvio que você não precisa colocar terninho, salto alto, coque banana e um make de arrasar. Um jeans, uma camiseta e um tênis com um rabo-de-cavalo já dão conta de manter o visual arrumadinho e prático para desempenhar todos os papéis de dona-de-casa, mãe e profissional. Se ainda tiver dúvidas, basta pensar em uma roupa que você possa lavar o banheiro e sair correndo pra ir ao banco, se assim for necessário.

3) Persistência: O empreendedorismo é um terreno arriscado. Montar um negócio próprio vai demandar investimento de tempo e dinheiro, e muitas vezes os resultados demoram a aparecer ou correm o risco de nem aparecerem. Portanto, é necessário ter muita persistência e resiliência para resistir diante dos obstáculos e das adversidades. Se você é daquelas pessoas que desiste fácil, que desanima fácil ou que nunca termina o que começa, cuidado! talvez o empreendedorismo não seja pra você.

4) Liderança: Lembre-se que você não terá chefe, agora você é o chefe. Fácil? nem tanto. Tomar todas as decisões que envolvem a abertura e o gerenciamento de um negócio próprio, não é tarefa fácil e demandam um espírito de liderança. E se mais tarde você acabar tendo que contratar funcionários, a última coisa que você pode ser é passiva, pois manter e administrar um negócio requer acima de tudo pulso firme, ou então o negócio não vai adiante.

5) Organização: Abrir um negócio sempre vem com a parte chata da burocracia. Tem documentos, tem contas, tem pedidos, Se você não for uma pessoa organizada, uma hora você vai se perder. Tenha um arquivo com pastas para estes documentos, e faça planilhas de entradas e saídas financeiras, e também uma planilha para pedidos. Não deixe suas contas atrasarem por hipótese alguma, e evite ao máximo pegar dinheiro emprestado.

Esses sãos as cinco características básicas da mãe empreendedora. Se você acha que você tem perfil, não perca tempo e seja uma mãe empreendedora também! Esperamos ter ajudado um pouquinho, e se você gostou, compartilhe com as suas amigas!