terça-feira, 2 de agosto de 2016

Como superei a tristeza de não amamentar a primeira filha, amamentando a segunda. Relato de amamentação - Parte 1



Especial SMAM 2016

Julinha em uma de suas primeiras mamadas no quarto. Que saudade!
Julinha, minha primeira filha, nasceu dia 15/04/2013 ás 08:51 com 38 semanas de gestação em uma cesariana eletiva. Na ocasião eu já era nutricionista a 4 anos e mesmo assim, me considerando informada (Só que não!) me deixei levar pelo sistema obstétrico e pelo sistema pediátrico. Ou seja, não tive parto normal e não amamentei. Me sentia um lixo de mulher por causa disso (veja bem, não estou afirmando que todas que tiveram cesariana e não amamentaram sejam menos mães ou mulheres por isso. Estou contando como EU me sentia. Cada uma sabe de si, sem julgamentos!). Enfim...eu me sentia incompleta como mãe. A Julinha nasceu grande. Apesar de eu não ser portadora de diabetes gestacional, ela nasceu com 3.830 kg e 52 cm, um bebezão pra 38 semanas. Aí, começou aquela função de: "Ela é grande, vai ter hipoglicemia, tem que complementar!!" Embora eu tenha feito cesariana eletiva, meu colostro desceu na hora, rapidamente. Era tão simples, ter deixado ela mamar na primeira hora de vida! Mas não foi isso que aconteceu. Ela passou mais de uma hora no berçário, e tomou uma chuquinha com aproximadamente 60 ml de complemento antes de mamar no peito. E foi assim por todos os dias que passamos no hospital...as enfermeiras vinham com o copinho de NAN e davam pra ela no quarto de tempos em tempos, pois era a ordem da pediatra pra não ter hipoglicemia.

Julinha tomando complemento ainda no berçário, sem a minha autorização.
Nem sequer fui consultada ou informada.
 Me encheram a cabeça para fazer os horários rígidos e assim nossa amamentação estava com os dias contados. Pra piorar a situação, com 30 dias de vida ela foi diagnosticada com alergia a proteína do leite de vaca, e eu, que por "N"  motivos já estava com um baby blues bem forte, fui absolutamente desencorajada a seguir com a amamentação e 16 dias depois sucumbi. Não recebi apoio médico, nem familiar. Todo mundo (inclusive eu) estava desempoderado pelo sistema que faz a gente acreditar na nossa incapacidade de parir e amamentar um bebê. Não aguentei o tranco e com 46 dias de vida, Julinha parou de mamar no peito e passou a usar um leite especial para APLV. Nessas alturas meu psicológico entrou em surto e eu caí numa depressão pós-parto profunda. Cheguei a rejeitar a minha filha. Não queria tocar nela, não queria ouvir o choro dela, não queria nem sequer olhar pra ela. Foi difícil, muuuito difícil, Doeu muito essa situação. Então procurei ajuda profissional para tentar sair dessa depressão, pois eu precisava voltar a cuidar e amar a minha filha. Graças a Deus eu tinha a minha mãe por perto que agarrou a Julinha com todas as forças e cuidou dela com um amor inexplicável, sou eternamente grata a ela. Comecei a fazer terapia, a depressão começou a ir embora, mas a tristeza e o vazio de não amamentar sempre permaneceram. Quer saber o final da história? Volta aqui amanhã!

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