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| Juju com 6 meses de vida... |
O tempo foi passando e eu fui me encontrando na função de mãe. Mas foi bem complicado. Faltou algo sabe? Os poucos dias que eu amamentei a Juju foram dias de muito apego. Na verdade eu desabei na depressão, quando eu parei de amamentá-la, pois como o parto havia sido péssimo e o pós-parto mais ainda, eu me apeguei na amamentação como consolo. E por total desempoderamento, até isso tiraram de mim. Minha filha estava lá, linda, maravilhosa, e eu sentindo um vazio, um buraco por dentro. Quem nunca passou por uma depressão pós-parto, não faz ideia da dor intensa que é olhar pro seu bebê, objeto de todo o teu desejo durante nove meses, e não sentir vontade de encostar nele, odiar seu choro, ter vontade de jogá-lo no chão e por aí vai...Sim, imagino que você se arrepiou. Eu me arrepio só de lembrar até hoje. É muito cruel, jamais julgue uma mãe depressiva! Mas o tempo foi nos ajudando juntamente com a família, o apoio profissional da Carol, minha terapeuta e dos amigos, em especial aqui quero citar a minha amiga Pam que veio de SP pra cá passar duas semanas comigo, me trouxe maquiagens de presente e me deu uma força incrível num momento de tanta fragilidade...Jamais vou esquecer esse gesto minha linda! Fez toda a diferença.
De tempos em tempos, eu tinha alguma recaída na depressão, até que um dia meu pai falou muito sério comigo...ele sentou no sofá da minha casa, me chamou e disse: Ellen, seguinte filha. Tu só vai conseguir amar a tua filha, quando tu começar a cuidar dela de fato. Enquanto a sua mãe estiver tomando mais conta dela do que você, as coisas não vão melhorar! Enfrenta essa depressão filha e você vai ver que você vai desenvolver um vínculo com a Juju. Aquelas palavras foram rudes pra mim naquele momento, mas foram a minha salvação! Eu precisava que alguém me dissesse aquilo. Eu chorei muito, muito mesmo...mas decidi que eu iria tomar conta dessa situação e tomei! Meu pai me fez cair na real, e me abriu os olhos para que eu enxergasse o que estava faltando: O vínculo! A cesariana fora de trabalho de parto, infelizmente não conta com a cascata hormonal que existe num trabalho de parto e que já faz a gente criar de imediato o primeiro vínculo com a cria. E depois esse vínculo segue sendo formado durante a amamentação, afinal a mesma ocitocina que a gente libera parindo a gente libera amamentando (e fazendo sexo também, entenderam por que a mulher cria vínculos com o parceiro sexual?). Depois dessa sacada que o meu pai me deu, eu entendi que eu precisava de alguma forma liberar bons hormônios com a Juju, para eu poder me apaixonar por ela e então começar a sentir aqueeeeele amor arrebatador que todo mundo fala. Sabe gente, ás vezes ele não acontece de cara, e a gente precisa muito se esforçar pra ele acontecer. E foi assim com a gente...Daquele dia em diante, eu comecei a cuidar dela mesmo sem vontade e então fui me apaixonando por aquele serzinho. Por volta de seis meses de idade da Juju, eu me senti curada. Eu finalmente senti que eu amava a minha filha e que ela era a razão da minha vida. Não que esse sentimento não existisse antes...mas as circunstâncias estavam dificultando ele de aflorar. Nós perseveramos e graças a Deus vencemos! Mas o vazio ainda estava lá...continua amanhã! Não percam as cenas dos próximos capítulos.

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