Então, no reveillon de 2014, anunciamos a gravidez com a seguinte frase: "Ano novo, vida nova. Literalmente aqui em casa." Desta vez, eu decidi que o meu bebê seria recebido de outra forma. Encarei essa nova gestação como um grande presente de Deus para me auxiliar no processo de cura dos meus traumas. Encontrei um obstetra humanizado, Dr. Fabiano Vasconcelos, e comecei o pré-natal, pois eu queria parir e amamentar. Nos meus planos, não cabia nada menos que isso. Logo na primeira consulta, falamos sobre a importância de ter uma doula para acompanhar o parto. Eu não sabia nem por onde começar, e então digitei "doula" no face, e fui procurando pelas que foram aparecendo, qual era do RS. Entrei em contato com várias, e com nenhuma "o santo bateu." Já estava bem desanimada, até que uma delas me respondeu a mensagem. Doula Analu. Conversei um pouco com ela, e Pá!! Rolou de cara a empatia. Aí, descobri na conversa, que ela também é Nutricionista e Consultora em Aleitamento Materno. Fechei com ela! Fui fazendo os acompanhamentos, e tudo foi correndo bem e se encaminhando para um parto normal. Com 32 semanas, fomos realizar a última ecografia que estava planejada (Os médicos humanizados não pedem muitas ecografias), e eis que a dona moça estava sentadinha! Medo me definia naquele momento...Ela já estava bem grandinha, e eu tive muito medo dela não virar novamente de cabecinha para baixo, em posição cefálica. Então comecei a fazer de tudo para ela virar. Só de pensam em outra cesariana, me dava calafrios. Com exatas 36 semanas, após algumas sessões de moxabustão (acupuntura com calor), Gigi virou! Aiii que felicidade! Eu sonhava com uma cena na minha cabeça: Parir de cócoras e colocar o bebê no peito assim que nascesse e viesse pro meu colo, preso pelo cordão umbilical ainda. Então, no dia 18/08/2015 ás 21:25, no mesmo hospital, na mesma sala de parto, acompanhados pela mesma pediatra que a Juju, Gigi nasceu lindamente, de um parto normal restaurador e exaustivo para reescrever nossa história. Exatamente como eu sonhei. Veio direto para o meu colo e assim como eu, estava exausta e só quis cheirar o peito exatamente como faz até hoje...ás vezes não quer mamar, mas só deita a cabecinha no peito e dorme <3
Nossa querida doula estava lá, nos orientado os primeiros passos. Eu tive uma pequena laceração natural de períneo e enquanto era suturada, Gigi foi levada junto com o papai para ser pesada e medida. Fui levada para a sala de recuperação e logo em seguida o papai veio trazendo junto aquele pacotinho de amor. Ali, de fato começamos nossa história de aleitamento. Ela passou mais de uma hora sugando colostro (esfomeada como é até hoje...hehehe) e nós não nos desgrudamos mais! Gigi mamou exclusivamente no peito até os 6 meses de idade, sem nenhuma água, nenhum cházinho, nenhum complemento, chupeta ou qualquer outra coisa que pudesse nos atrapalhar. Tive mastite, tive algumas fissuras, tive dor, tive lágrimas, tivemos cólicas intensas, madrugadas em claro, picos de crescimento, e muito, muuuuito amor e uma troca intensa de carinho. Daqui a 13 dias completamos 12 meses de aleitamento materno, e essa é uma grande vitória para mim. Hoje eu tenho o orgulho de dizer: Sim, eu sou capaz de nutrir a minha filha! Meu corpo é tão poderoso a este ponto! Hoje eu me sinto completa, e apesar da culpa ás vezes ainda tentar roubar a cena por conta da Juju, basta eu olhar pra Gigi no peito que a gratidão inunda a minha alma. Eu ainda sofro um pouquinho pela Juju não ter tido esta oportunidade. Mas ao mesmo tempo, penso que a história que eu tive com a Juju embora tenha um lado muito triste, me trouxe para onde eu estou hoje. Me fortaleceu, me fez buscar outra história, me fez sair da zona de conforto. Agradeço muito a Deus por ter me escolhido para ser mãe destes seres tão iluminados e por ter me dado experiências tão intensas para viver, e pela possibilidade hoje, de usar estas experiências para empoderar outras mulheres, elas são a minha grande inspiração! Elas são Fruto do Amor.





