quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Como superei a tristeza de não amamentar a primeira filha, amamentando a segunda. Relato de amamentação - Parte 4


Então, no reveillon de 2014, anunciamos a gravidez com a seguinte frase: "Ano novo, vida nova. Literalmente aqui em casa." Desta vez, eu decidi que o meu bebê seria recebido de outra forma. Encarei essa nova gestação como um grande presente de Deus para me auxiliar no processo de cura dos meus traumas. Encontrei um obstetra humanizado, Dr. Fabiano Vasconcelos, e comecei o pré-natal, pois eu queria parir e amamentar. Nos meus planos, não cabia nada menos que isso. Logo na primeira consulta, falamos sobre a importância de ter uma doula para acompanhar o parto. Eu não sabia nem por onde começar, e então digitei "doula" no face, e fui procurando pelas que foram aparecendo, qual era do RS. Entrei em contato com várias, e com nenhuma "o santo bateu." Já estava bem desanimada, até que uma delas me respondeu a mensagem. Doula Analu. Conversei um pouco com ela, e Pá!! Rolou de cara a empatia. Aí, descobri na conversa, que ela também é Nutricionista e Consultora em Aleitamento Materno. Fechei com ela! Fui fazendo os acompanhamentos, e tudo foi correndo bem e se encaminhando para um parto normal. Com 32 semanas, fomos realizar a última ecografia que estava planejada (Os médicos humanizados não pedem muitas ecografias), e eis que a dona moça estava sentadinha! Medo me definia naquele momento...Ela já estava bem grandinha, e eu tive muito medo dela não virar novamente de cabecinha para baixo, em posição cefálica. Então comecei a fazer de tudo para ela virar. Só de pensam em outra cesariana, me dava calafrios. Com exatas 36 semanas, após algumas sessões de moxabustão (acupuntura com calor), Gigi virou! Aiii que felicidade! Eu sonhava com uma cena na minha cabeça: Parir de cócoras e colocar o bebê no peito assim que nascesse e viesse pro meu colo, preso pelo cordão umbilical ainda. Então, no dia 18/08/2015 ás 21:25, no mesmo hospital, na mesma sala de parto, acompanhados pela mesma pediatra que a Juju, Gigi nasceu lindamente, de um parto normal restaurador e exaustivo para reescrever nossa história. Exatamente como eu sonhei. Veio direto para o meu colo e assim como eu, estava exausta e só quis cheirar o peito exatamente como faz até hoje...ás vezes não quer mamar, mas só deita a cabecinha no peito e dorme <3






Nossa querida doula estava lá, nos orientado os primeiros passos. Eu tive uma pequena laceração natural de períneo e enquanto era suturada, Gigi foi levada junto com o papai para ser pesada e medida. Fui levada para a sala de recuperação e logo em seguida o papai veio trazendo junto aquele pacotinho de amor. Ali, de fato começamos nossa história de aleitamento. Ela passou mais de uma hora sugando colostro (esfomeada como é até hoje...hehehe) e nós não nos desgrudamos mais! Gigi mamou exclusivamente no peito até os 6 meses de idade, sem nenhuma água, nenhum cházinho, nenhum complemento, chupeta ou qualquer outra coisa que pudesse nos atrapalhar. Tive mastite, tive algumas fissuras, tive dor, tive lágrimas, tivemos cólicas intensas, madrugadas em claro, picos de crescimento, e muito, muuuuito amor e uma troca intensa de carinho. Daqui a 13 dias completamos 12 meses de aleitamento materno, e essa é uma grande vitória para mim. Hoje eu tenho o orgulho de dizer: Sim, eu sou capaz de nutrir a minha filha! Meu corpo é tão poderoso a este ponto! Hoje eu me sinto completa, e apesar da culpa ás vezes ainda tentar roubar a cena por conta da Juju, basta eu olhar pra Gigi no peito que a gratidão inunda a minha alma. Eu ainda sofro um pouquinho pela Juju não ter tido esta oportunidade. Mas ao mesmo tempo, penso que a história que eu tive com a Juju embora tenha um lado muito triste, me trouxe para onde eu estou hoje. Me fortaleceu, me fez buscar outra história, me fez sair da zona de conforto. Agradeço muito a Deus por ter me escolhido para ser mãe destes seres tão iluminados e por ter me dado experiências tão intensas para viver, e pela possibilidade hoje, de usar estas experiências para empoderar outras mulheres, elas são a minha grande inspiração! Elas são Fruto do Amor.


Como superei a tristeza de não amamentar a primeira filha, amamentando a segunda. Relato de amamentação - Parte 3

Juju tomando uma mamadeira de água com espessante,
pois tinha refluxo severo e disfagia, e tinha afogamentos constantes.
O maldito vazio permanecia. A culpa enorme por ser uma nutricionista e ter sucumbido á mamadeira me consumia. Juju teve APLV, teve que tomar uma fórmula horrível, e eu tinha ódio de fazer a mamadeira, mas não tínhamos outra opção (ou não conhecíamos outra opção). Com seis meses ela ficou resistente ao leite, e já podíamos considerá-la curada da alergia. Se antes disso, eu soubesse da técnica de relactação, muita coisa poderia ter sido diferente. Quando a poeira baixou, eu poderia ter tentado fazê-la voltar a mamar no peito através dessa técnica, mas não tive auxílio. Isso me faz refletir em quão fraco ainda é o nosso ensino nas universidades á respeito de amamentação e alimentação infantil. Eu era uma nutricionista desinformada e desempoderada. Que coisa triste isso! Ao longo do tempo, fui refletindo a respeito de todas estas situações, fui organizando meus pensamentos e fui entendendo que a culpa não era minha e que infelizmente eu fui apenas mais uma vítima do sistema. Quando a Juju tinha um ano de idade, comecei meu mestrado em Nutrição e Dietética. Fui avançando no curso, até que chegou a hora de fazer a especialização e a dissertação e eu me deparei com as áreas de Nutrição Clínica, Obesidade e Emagrecimento, Nutrição Esportiva e Nutrição e Atividade Física na Infância e na Adolescência. Até aqui eu já havia estudado muito sobre parto, nascimento, amamentação, uso de fórmula e outros assuntos mais para tentar entender melhor o quadro da Juju. Surgiu então o desejo de pesquisar a respeito da influência do tipo de parto sobre o estado nutricional do binômio mãe-filho, e a área que melhor se encaixava neste tema, era a área relacionada a Nutrição Materno-Infantil e foi essa área que eu escolhi para me especializar. A Juju ainda não sabe, mas ela me ajudou muito a me encontrar profissionalmente. Por causa dela, eu me apaixonei por uma área que eu nem sequer havia imaginado de trabalhar nela um dia. Porém, nesse meio tempo houve um imprevisto nesta história. Eu estava a apenas 7 meses fazendo o mestrado (portanto ainda faltava quase um ano e meio para terminá-lo) um belo dia, senti umas dores estranhas no baixo ventre e achei que estivesse com infecção urinária. Nunca, jamais me passou pela cabeça de estra grávida de novo. Eu sempre falei que eu tinha medo de ter outro filho, pois com a Juju foi tudo muito difícil, ela sempre teve a saúde muito frágil e nós sofremos muitas vezes situações em que eu achei que eu a perderia. Era trauma em cima de trauma...eu estava muito machucada ainda pelos traumas da maternidade, e eu tinha medo de sofrer tudo isso outra vez. Mas, como os planos de Deus são diferentes dos nossos, eu fui na emergência do hospital pra consultar e pedir um antibiótico para a infecção urinária. Antes de sair de casa, minha mãe me disse: "Pede pro médico um exame de gravidez também!!!" Ahhhh as mães e seu super-hiper-mega-master-blaster-power-advanced sexto sentido... Chegando lá, falei com o médico e ele pediu o exame de urina e o BHCG. Eu tava tranquila, afinal eu sabia que eu não estava grávida. Demorou algum tempo, vieram os resultados e eu fui chamada. Meu marido ficou na sala de espera assistindo filme...sentei no consultório e o médico chegou, olhou os exames e: Dona Ellen, a senhora não está com infecção urinária, mas o seu BHCG está alterado, esse valor me diz que ele é positivo, portanto, meus parabéns! A senhora está grávida! O QUÊÊÊ??????? Pensei: Não, péra doutor! Ta invertido o negócio aí, era pra dar positivo o de urina e negativo o de gravidez!!! Desabeeeei a chorar! O coitado ficou sem saber o que fazer...Olhou pra mim e disse: Ai que legal, pelo jeito a Senhora queria muito não é?? Eu respondi: Nãããão!! O contrário...eu não queria! Mas seja o que Deus quiser... Um misto de emoções me inundou naquele momento. Um medo absurdo de passar por tudo outra vez, um pavor por ter um bebê em casa e outro na barriga, uma alegria imensa por ter uma segunda chance, um amor maior do mundo que a gente sente quando vê o positivo...E aqui começa uma nova, restauradora e emocionante história de empoderamento, superação e determinação. Uma das experiências mais lindas da minha vida! Tá curioso? Vai ficar, por que só conto o final amanhã! Até lá...

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Como superei a tristeza de não amamentar a primeira filha, amamentando a segunda. Relato de amamentação - Parte 2

Juju com 6 meses de vida...

O tempo foi passando e eu fui me encontrando na função de mãe. Mas foi bem complicado. Faltou algo sabe? Os poucos dias que eu amamentei a Juju foram dias de muito apego. Na verdade eu desabei na depressão, quando eu parei de amamentá-la, pois como o parto havia sido péssimo e o pós-parto mais ainda, eu me apeguei na amamentação como consolo. E por total desempoderamento, até isso tiraram de mim. Minha filha estava lá, linda, maravilhosa, e eu sentindo um vazio, um buraco por dentro. Quem nunca passou por uma depressão pós-parto, não faz ideia da dor intensa que é olhar pro seu bebê, objeto de todo o teu desejo durante nove meses, e não sentir vontade de encostar nele, odiar seu choro, ter vontade de jogá-lo no chão e por aí vai...Sim, imagino que você se arrepiou. Eu me arrepio só de lembrar até hoje. É muito cruel, jamais julgue uma mãe depressiva! Mas o tempo foi nos ajudando juntamente com a família, o apoio profissional da Carol, minha terapeuta e dos amigos, em especial aqui quero citar a minha amiga Pam que veio de SP pra cá passar duas semanas comigo, me trouxe maquiagens de presente e me deu uma força incrível num momento de tanta fragilidade...Jamais vou esquecer esse gesto minha linda! Fez toda a diferença.
De tempos em tempos, eu tinha alguma recaída na depressão, até que um dia meu pai falou muito sério comigo...ele sentou no sofá da minha casa, me chamou e disse: Ellen, seguinte filha. Tu só vai conseguir amar a tua filha, quando tu começar a cuidar dela de fato. Enquanto a sua mãe estiver tomando mais conta dela do que você, as coisas não vão melhorar! Enfrenta essa depressão filha e você vai ver que você vai desenvolver um vínculo com a Juju. Aquelas palavras foram rudes pra mim naquele momento, mas foram a minha salvação! Eu precisava que alguém me dissesse aquilo. Eu chorei muito, muito mesmo...mas decidi que eu iria tomar conta dessa situação e tomei! Meu pai me fez cair na real, e me abriu os olhos para que eu enxergasse o que estava faltando: O vínculo! A cesariana fora de trabalho de parto, infelizmente não conta com a cascata hormonal que existe num trabalho de parto e que já faz a gente criar de imediato o primeiro vínculo com a cria. E depois esse vínculo segue sendo formado durante a amamentação, afinal a mesma ocitocina que a gente libera parindo a gente libera amamentando (e fazendo sexo também, entenderam por que a mulher cria vínculos com o parceiro sexual?). Depois dessa sacada que o meu pai me deu, eu entendi que eu precisava de alguma forma liberar bons hormônios com a Juju, para eu poder me apaixonar por ela e então começar a sentir aqueeeeele amor arrebatador que todo mundo fala. Sabe gente, ás vezes ele não acontece de cara, e a gente precisa muito se esforçar pra ele acontecer. E foi assim com a gente...Daquele dia em diante, eu comecei a cuidar dela mesmo sem vontade e então fui me apaixonando por aquele serzinho. Por volta de seis meses de idade da Juju, eu me senti curada. Eu finalmente senti que eu amava a minha filha e que ela era a razão da minha vida. Não que esse sentimento não existisse antes...mas as circunstâncias estavam dificultando ele de aflorar. Nós perseveramos e graças a Deus vencemos! Mas o vazio ainda estava lá...continua amanhã! Não percam as cenas dos próximos capítulos.


terça-feira, 2 de agosto de 2016

Como superei a tristeza de não amamentar a primeira filha, amamentando a segunda. Relato de amamentação - Parte 1



Especial SMAM 2016

Julinha em uma de suas primeiras mamadas no quarto. Que saudade!
Julinha, minha primeira filha, nasceu dia 15/04/2013 ás 08:51 com 38 semanas de gestação em uma cesariana eletiva. Na ocasião eu já era nutricionista a 4 anos e mesmo assim, me considerando informada (Só que não!) me deixei levar pelo sistema obstétrico e pelo sistema pediátrico. Ou seja, não tive parto normal e não amamentei. Me sentia um lixo de mulher por causa disso (veja bem, não estou afirmando que todas que tiveram cesariana e não amamentaram sejam menos mães ou mulheres por isso. Estou contando como EU me sentia. Cada uma sabe de si, sem julgamentos!). Enfim...eu me sentia incompleta como mãe. A Julinha nasceu grande. Apesar de eu não ser portadora de diabetes gestacional, ela nasceu com 3.830 kg e 52 cm, um bebezão pra 38 semanas. Aí, começou aquela função de: "Ela é grande, vai ter hipoglicemia, tem que complementar!!" Embora eu tenha feito cesariana eletiva, meu colostro desceu na hora, rapidamente. Era tão simples, ter deixado ela mamar na primeira hora de vida! Mas não foi isso que aconteceu. Ela passou mais de uma hora no berçário, e tomou uma chuquinha com aproximadamente 60 ml de complemento antes de mamar no peito. E foi assim por todos os dias que passamos no hospital...as enfermeiras vinham com o copinho de NAN e davam pra ela no quarto de tempos em tempos, pois era a ordem da pediatra pra não ter hipoglicemia.

Julinha tomando complemento ainda no berçário, sem a minha autorização.
Nem sequer fui consultada ou informada.
 Me encheram a cabeça para fazer os horários rígidos e assim nossa amamentação estava com os dias contados. Pra piorar a situação, com 30 dias de vida ela foi diagnosticada com alergia a proteína do leite de vaca, e eu, que por "N"  motivos já estava com um baby blues bem forte, fui absolutamente desencorajada a seguir com a amamentação e 16 dias depois sucumbi. Não recebi apoio médico, nem familiar. Todo mundo (inclusive eu) estava desempoderado pelo sistema que faz a gente acreditar na nossa incapacidade de parir e amamentar um bebê. Não aguentei o tranco e com 46 dias de vida, Julinha parou de mamar no peito e passou a usar um leite especial para APLV. Nessas alturas meu psicológico entrou em surto e eu caí numa depressão pós-parto profunda. Cheguei a rejeitar a minha filha. Não queria tocar nela, não queria ouvir o choro dela, não queria nem sequer olhar pra ela. Foi difícil, muuuito difícil, Doeu muito essa situação. Então procurei ajuda profissional para tentar sair dessa depressão, pois eu precisava voltar a cuidar e amar a minha filha. Graças a Deus eu tinha a minha mãe por perto que agarrou a Julinha com todas as forças e cuidou dela com um amor inexplicável, sou eternamente grata a ela. Comecei a fazer terapia, a depressão começou a ir embora, mas a tristeza e o vazio de não amamentar sempre permaneceram. Quer saber o final da história? Volta aqui amanhã!