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Juju tomando uma mamadeira de água com espessante,
pois tinha refluxo severo e disfagia, e tinha afogamentos constantes. |
O maldito vazio permanecia. A culpa enorme por ser uma nutricionista e ter sucumbido á mamadeira me consumia. Juju teve APLV, teve que tomar uma fórmula horrível, e eu tinha ódio de fazer a mamadeira, mas não tínhamos outra opção (ou não conhecíamos outra opção). Com seis meses ela ficou resistente ao leite, e já podíamos considerá-la curada da alergia. Se antes disso, eu soubesse da técnica de relactação, muita coisa poderia ter sido diferente. Quando a poeira baixou, eu poderia ter tentado fazê-la voltar a mamar no peito através dessa técnica, mas não tive auxílio. Isso me faz refletir em quão fraco ainda é o nosso ensino nas universidades á respeito de amamentação e alimentação infantil. Eu era uma nutricionista desinformada e desempoderada. Que coisa triste isso! Ao longo do tempo, fui refletindo a respeito de todas estas situações, fui organizando meus pensamentos e fui entendendo que a culpa não era minha e que infelizmente eu fui apenas mais uma vítima do sistema. Quando a Juju tinha um ano de idade, comecei meu mestrado em Nutrição e Dietética. Fui avançando no curso, até que chegou a hora de fazer a especialização e a dissertação e eu me deparei com as áreas de Nutrição Clínica, Obesidade e Emagrecimento, Nutrição Esportiva e Nutrição e Atividade Física na Infância e na Adolescência. Até aqui eu já havia estudado muito sobre parto, nascimento, amamentação, uso de fórmula e outros assuntos mais para tentar entender melhor o quadro da Juju. Surgiu então o desejo de pesquisar a respeito da influência do tipo de parto sobre o estado nutricional do binômio mãe-filho, e a área que melhor se encaixava neste tema, era a área relacionada a Nutrição Materno-Infantil e foi essa área que eu escolhi para me especializar. A Juju ainda não sabe, mas ela me ajudou muito a me encontrar profissionalmente. Por causa dela, eu me apaixonei por uma área que eu nem sequer havia imaginado de trabalhar nela um dia. Porém, nesse meio tempo houve um imprevisto nesta história. Eu estava a apenas 7 meses fazendo o mestrado (portanto ainda faltava quase um ano e meio para terminá-lo) um belo dia, senti umas dores estranhas no baixo ventre e achei que estivesse com infecção urinária. Nunca, jamais me passou pela cabeça de estra grávida de novo. Eu sempre falei que eu tinha medo de ter outro filho, pois com a Juju foi tudo muito difícil, ela sempre teve a saúde muito frágil e nós sofremos muitas vezes situações em que eu achei que eu a perderia. Era trauma em cima de trauma...eu estava muito machucada ainda pelos traumas da maternidade, e eu tinha medo de sofrer tudo isso outra vez. Mas, como os planos de Deus são diferentes dos nossos, eu fui na emergência do hospital pra consultar e pedir um antibiótico para a infecção urinária. Antes de sair de casa, minha mãe me disse: "Pede pro médico um exame de gravidez também!!!" Ahhhh as mães e seu super-hiper-mega-master-blaster-power-advanced sexto sentido... Chegando lá, falei com o médico e ele pediu o exame de urina e o BHCG. Eu tava tranquila, afinal
eu sabia que eu não estava grávida. Demorou algum tempo, vieram os resultados e eu fui chamada. Meu marido ficou na sala de espera assistindo filme...sentei no consultório e o médico chegou, olhou os exames e: Dona Ellen, a senhora não está com infecção urinária, mas o seu BHCG está alterado, esse valor me diz que ele é positivo, portanto, meus parabéns! A senhora está grávida! O QUÊÊÊ??????? Pensei: Não, péra doutor! Ta invertido o negócio aí, era pra dar positivo o de urina e negativo o de gravidez!!! Desabeeeei a chorar! O coitado ficou sem saber o que fazer...Olhou pra mim e disse: Ai que legal, pelo jeito a Senhora queria muito não é?? Eu respondi: Nãããão!! O contrário...eu não queria! Mas seja o que Deus quiser... Um misto de emoções me inundou naquele momento. Um medo absurdo de passar por tudo outra vez, um pavor por ter um bebê em casa e outro na barriga, uma alegria imensa por ter uma segunda chance, um amor maior do mundo que a gente sente quando vê o positivo...E aqui começa uma nova, restauradora e emocionante história de empoderamento, superação e determinação. Uma das experiências mais lindas da minha vida! Tá curioso? Vai ficar, por que só conto o final amanhã! Até lá...
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